Saúde Mental

O que é desesperança?

Por Alexandre Jeremias · Psicólogo · Psicanalista · Sexólogo

O que é desesperança, afinal? Não é apenas um momento de desânimo. É uma visão mais persistente e específica: a sensação de que o futuro não reserva nada diferente do presente que dói.

Segundo o psicólogo Aaron Beck, cuja escala de desesperança é referência na área, essa experiência se caracteriza por pensamentos autoderrotistas e uma visão pessimista e negativa diante do futuro. Pesquisadoras como Katya Luciane de Oliveira e colegas, em estudo publicado na revista Psicologia em Estudo, descrevem a desesperança como algo fortemente relacionado à depressão, mas com características próprias.

O que é desesperança: homem sentado sozinho olhando para longe, expressão distante

O que é desesperança, na prática

Na prática, o que é desesperança se manifesta como uma dificuldade específica: a pessoa não consegue mais imaginar um cenário futuro melhor do que o atual, mesmo quando reconhece, racionalmente, que mudanças já aconteceram antes em sua vida.

Diferente da tristeza pontual, a desesperança tende a colorir a forma como a pessoa avalia a si mesma, o mundo e o que ainda está por vir. Ela raramente aparece sozinha. Costuma vir acompanhada de outros sintomas, como fadiga emocional, perda de interesse e dificuldade de se engajar em planos.

Sinais de desesperança

 . Dificuldade de imaginar qualquer melhora futura, mesmo diante de mudanças possíveis

 . Pensamentos recorrentes de que “nada vai adiantar”

 . Desistência de fazer planos, mesmo pequenos

 . Sensação de que os próprios esforços não têm efeito sobre o resultado

 . Persistência desse estado por semanas, não apenas em um dia ruim

O que é desesperança e sua relação com outros sofrimentos

A literatura em psicologia reconhece a desesperança como um marcador clínico relevante, associado com frequência a quadros depressivos. Em estudos como o de Oliveira e colegas, ela aparece de forma mais intensa em populações que vivenciam maior isolamento social e menor rede de apoio.

É importante dizer isso com cuidado: a desesperança persistente é um sinal que merece atenção profissional, não porque indique fraqueza, mas porque é reconhecida, na literatura científica, como um fator associado a maior sofrimento psíquico, incluindo, em alguns casos, pensamentos sobre não querer mais viver. Isso não significa que toda desesperança leve a esse ponto, mas significa que ela nunca deve ser minimizada.

Segundo Alexandre Jeremias, na prática clínica observa-se que a desesperança costuma ceder quando a pessoa encontra um espaço para nomear o que sente, sem precisar fingir otimismo nem carregar isso sozinha. Isso se relaciona diretamente com o que já foi discutido em o que é esperança: a esperança não elimina a dificuldade real, mas sustenta a possibilidade de que ela não seja eterna, e é justamente essa possibilidade que a desesperança rouba.

O que ajuda diante da desesperança

 . Buscar apoio profissional quando a sensação persiste por semanas

 . Não enfrentar isso sozinho, mesmo quando parece mais fácil se isolar

 . Evitar decisões grandes e definitivas enquanto esse estado está intenso

 . Nomear o que se sente, sem pressão para “ver o lado bom”

 . Lembrar que a desesperança é um estado, não uma previsão confiável do futuro

O que isso está tentando dizer?

Quando a desesperança aparece e se instala, ela costuma estar dizendo que a pessoa está exausta de esperar por uma mudança que, até aquele momento, não veio. Não é ausência de força de vontade. É, com frequência, o resultado de um cansaço acumulado que precisa ser cuidado, não combatido sozinho.

Reconhecer o que é desesperança como um sinal, e não como uma verdade definitiva sobre o futuro, é o primeiro passo para que ela deixe de ser a única lente disponível.

O que é desesperança: homem sentado sozinho em uma plataforma de trem, olhando para os trilhos ao longe

Existe um caminho possível

A desesperança tende a se sustentar no isolamento. Um espaço de escuta pode ajudar a interromper esse ciclo, permitindo que a dor seja compartilhada em vez de carregada sozinha.

Se você está passando por um momento de desesperança intensa e pensamentos sobre não querer mais viver, é importante buscar ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, 24 horas, pelo telefone 188, e também por chat em cvv.org.br.

Se esse tema faz sentido para você, considere também uma conversa inicial gratuita de 20 minutos com Alexandre Jeremias.

Perguntas frequentes

O que é desesperança, de forma simples?

É a sensação persistente de que o futuro não vai ser diferente do presente doloroso, mesmo diante de mudanças possíveis. Envolve pensamentos autoderrotistas e uma visão negativa sobre o que está por vir.

Não exatamente. A tristeza costuma ser mais pontual. A desesperança é mais persistente e afeta especificamente a forma como a pessoa imagina o futuro.

Ela está frequentemente associada a quadros depressivos, mas pode aparecer também em outros contextos de sofrimento intenso ou isolamento prolongado.

Quando persiste por semanas, interfere na rotina, ou vem acompanhada de pensamentos sobre não querer mais viver. Nesses casos, buscar apoio, não enfrentar isso sozinho, é essencial.

Sim. Com apoio adequado, é possível reconstruir, aos poucos, a capacidade de imaginar um futuro diferente. Esse processo costuma ser gradual, não imediato.

Referências

BECK, A. T.; WEISSMAN, A.; LESTER, D.; TREXLER, L. The measurement of pessimism: the Hopelessness Scale. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 1974.

OLIVEIRA, Katya Luciane de; SANTOS, Acácia Aparecida Angeli dos; CRUVINEL, Mirian; NÉRI, Anita Liberalesso. Relação entre ansiedade, depressão e desesperança entre grupos de idosos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 2, p. 351-359, maio/ago. 2006.

LARANJEIRA, Patrícia Isabel Chacim. A relação entre depressão e ideação suicida em jovens adultos: o papel mediador da desesperança e da dor mental. Dissertação (Mestrado em Psicologia), Universidade de Évora, Évora, 2015.

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